Avaliação do alinhamento sagital cervical e sua relação com a cifose torácica e parâmetros espino-pélvicos após cirurgia de correção de escoliose utilizando parafusos pediculares e técnica de derrotação vertebral direta

Murilo Tavares Daher, José Humberto Pereira Jr, Vinicio Nunes Nascimento, Adriano Passáglia Esperidião, Pedro Felisbino Jr, Nilo Carrijo Melo, Luiz Carlos Milazzo Netto, André Luiz Passos Cardoso, Brenda Cristina Ribeiro Araújo, Sérgio Daher

Resumo


OBJETIVOS: avaliar o comportamento da cifose torácica após a correção  da escoliose idiopática utilizando alta densidade de parafusos pediculares e derrotação vertebral direta (DVD) e correlacionar as alterações da coluna cervical com os parâmetros espino-pélvicos e questionários de qualidade de vida.

MÉTODOS: Estudo coorte retrospectivo baseado em dados colhidos prospectivamente. Foram avaliados prontuários e radiografias de pacientes submetidos a cirurgia de correção de escoliose idiopática utilizando alta densidade de parafusos pediculares (80%) e DVD com pelo menos 6 meses de seguimento. A análise funcional foi realizada através dos questionários SF-36, Owestry e SRS-30 no pré e ultimo pós-operatório. A análise radiográfica foi realizada através dos seguintes parâmetros: incidência pélvica (IP), versão pélvica (VP), inclinação sacral (IS), lordose lombar (LL), cifose torácica principal T5T12(CT), eixo vertical sagital (EVS) e os ângulos de Cobb da curva torácica proximal, curva torácica principal e curva toraco-lombar/lombar, além dos parâmetros relacionados à coluna cervical: lordose cervical (LC), angulo C1C2, inclinação de T1, cifose torácica proximal T1T5 e eixo sagital vertical cervical (ESVC). Todos os parâmetros radiográficos foram avaliados no pré e último pós-operatório.

RESULTADOS: Foram avaliados 43 pacientes, sendo 35 (81%) do sexo feminino.  A média de idade foi 15 anos (11 a 30 anos) com média de seguimento de 1 ano e 4 meses. Quanto a classificação de Lenke, 14 eram do gupo 1, 5 do grupo 2, 10 do grupo 3, 8 do grupo 4, 4 do grupo 5 e 2 do grupo 6. Apenas 4 pacientes apresentavam modificador sagital (+)e 2 modificador sagital (-). Não houve diferença significativa entre a cifose torácica pré e pós-operatória. Quando avaliados os grupos com modificadores torácicos +, N e -, tivemos que os pacientes hipocifóticos e normocifóticos (- e N) tiveram aumento da cifose, enquanto os pacientes hipercifóticos (+) tiveram diminuição do angulo no pós-operatório. Não houve diferença estatística em relação aos parâmetros radiográficos da coluna cervical no pré e pós-operatório. Houve melhora significativa na maioria dos parâmetros dos questionários de qualidade de vida, mas sem nenhuma correlação com os parâmetros radiográficos cervicais.

CONCLUSÃO: A correção da escoliose idiopática utilizando alta densidade de parafusos pediculares e técnica de derrotação vertebral direta não conseguiu melhorar a cifose torácica ou alterar o alinhamento sagital cervical, apesar de promover melhora significativa dos parâmetros dos questionários de qualidade de vida. 


Palavras-chave


Escoliose; resultado de tratamento; qualidade de vida; dispositivos de fixação ortopédica