Aula magistral: Frei Jaboatão e a exaltação da cor parda na Festa do Beato Gonçalo Garcia no Recife Setecentista

Luiz Fernando Conde Sangenis

Resumo


A grande festa de entronização da imagem do Bem-aventurado Gonçalo Garcia, na Igreja da Irmandade da Senhora do Livramento dos Homens Pardos, no Recife setecentista, é acontecimento notável para nosso intento: interpretar significados e efeitos das ações político-pedagógicas populares dos franciscanos, no Brasil Colonial. Entre os mais diversos eventos acontecidos durante os muitos dias de festa, havemos de destacar o sermão de Frei Antônio de Santa Maria Jaboatão, proferido no citado templo dos pardos da Senhora do Livramento, em 1745. Ante a polêmica que disputava a possibilidade de um santo ter a cor da pele parda, Jaboatão exalta não o Santo, mas a cor parda do Pardo Santo. Toma partido em defesa da gente parda, cada vez mais numerosa, na sociedade colonial escravista. A partir da utopia franciscana, defende posição avançada sobre os benefícios da mestiçagem para um futuro mais promissor do Brasil e da humanidade. Verdadeira aula magistral!

Palavras-chave


São Gonçalo Garcia; Frei Jaboatão; pardos; mestiçagem