Diversidade local e influência da sazonalidade sobre taxocenoses de anfíbios e répteis na Reserva Extrativista Chico Mendes, Acre, Brasil

Daniella Pereira Fagundes de França, Marco Antônio de Freitas, Werther Pereira Ramalho, Paulo Sérgio Bernarde

Resumo


Apesar da elevada riqueza de anfíbios e répteis conhecida para a porção Sul-Ocidental da Amazônia brasileira, o conhecimento sobre estes dois grupos ainda é pontual e poucos estudos avaliaram as variações temporais na ocorrência e abundância das espécies. Os objetivos deste estudo foram descrever as taxocenoses de anfíbios e répteis em uma localidade da reserva extrativista Chico Mendes, verificar quais variáveis climáticas influenciam as flutuações temporais na riqueza e abundância e identificar as principais espécies de anfíbios e répteis que são influenciadas por estas variáveis. A área de estudo está localizada na região do Seringal Etelvi, porção sudoeste da Reserva Extrativista Chico Mendes, município de Brasiléia, estado do Acre. A coleta de dados ocorreu entre outubro de 2011 e setembro de 2012, num total de 48 dias de amostragem com os métodos de procura limitada por tempo e armadilhas de interceptação e queda. Foram registrados 978 espécimes de 31 espécies de anfíbios e 54 de répteis. Maior riqueza e abundância de anfíbios ocorreram durante o período chuvoso, ambas correlacionadas positivamente com todas as variáveis selecionadas. Apenas a abundância de répteis foi maior durante o período chuvoso, não havendo correlação da riqueza e abundância com as variáveis climáticas selecionadas. Três anfíbios (Rhinella marina (Linnaeus, 1758), Adenomera hylaedactyla (Cope, 1868) e Allobates femoralis (Boulenger, 1884 “1883”)) e dois répteis (Kentropyx penviceps Cope, 1868 e Norops fuscoauratus (D’Orbigny, 1837)) tiveram suas abundâncias mensais correlacionadas com variáveis climáticas. Foi possível verificar o aumento da riqueza e abundância de anfíbios e répteis durante períodos em que a disponibilidade de recursos é favorável para muitas espécies. A utilização das espécies dominantes mostrou que as espécies podem responder de formas diferentes às variações climáticas, enquanto algumas são sensíveis às flutuações, outras parecem não responder facilmente ou não reduzir suas abundâncias em períodos teoricamente desfavoráveis.



Iheringia Série Zoologia

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