Balzac lê Stendhal, Machado lê Eça de Queirós

Marta de Senna

Resumo


Em setembro de 1840, Balzac escreveu longo artigo para a Revue Parisienne sobre A Cartuxa de Parma, então recentemente publicada por Stendhal. Embora elogie as qualidades do livro, nos parágrafos finais é muito crítico da obra do colega, de um modo que nos leva a inferir que o que condena na Cartuxa é que não é o romance que ele, Balzac teria escrito. Em abril de 1878, Machado de Assis escreveu para O Cruzeiro dois artigos sobre O primo Basílio (aludindo também ao primeiro romance de Eça, O crime do padre Amaro). Identificando afinidades entre Eça e Balzac e entre Machado e Stendhal, este artigo argumenta que a crítica do brasileiro ao romance do português tem por fundamento essas afinidades.

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