RECONSTRUÇÃO EM MOVIMENTO: IMPACTOS DO TERREMOTO DE 2010 EM IMIGRANTES HAITIANOS

Allyne Fernandes Oliveira Barros, Lucienne Martins-Borges

Resumo


A cultura oferece rituais e discursos que orientam o indivíduo, inclusive nos acontecimentos que excedem as possibilidades imediatas de representação psíquica, os eventos traumáticos. Em janeiro de 2010, o Haiti foi atingido por um terremoto com proporções catastróficas. A dificuldade do país em responder ao ocorrido, que agravou a situação precária da maioria de sua população, levou muitos haitianos a emigrarem, sendo o Brasil um dos destinos – ainda que provisório. O processo migratório, principalmente nas migrações involuntárias, implica em diversas mudanças e pode levar o sujeito a um estado de vulnerabilidade psíquica, pois muito daquilo que o orientava em sua existência é ameaçado pelo contato com a cultura diferente. O objetivo principal deste estudo foi analisar quais os impactos psicológicos do terremoto que, além de levar a experiência do imprevisível pelo evento em si, foi seguido de uma migração necessária para a continuidade e reconstrução da vida. De natureza qualitativa e exploratória, o procedimento de coleta de informações se deu por meio de entrevistas semiestruturadas. Aplicou-se a análise de conteúdo das narrativas, orientada pelo olhar psicanalítico e etnopsiquiátrico. Os resultados demonstram que a lembrança traumática, as perdas de pessoas próximas, a casa, o trabalho e a educação foram acrescidos às dificuldades de uma migração que, apesar de facilitada legalmente, é vivida com dificuldade de integração pela maioria desses sujeitos. Em contrapartida, o desejo de reconstrução da história individual e coletiva apresenta-se como importante força na vida dessas pessoas que, mesmo à distância, procuram compartilhar projetos com os conterrâneos.


Palavras-chave


Desastre natural; Sofrimento; Imigração; Migração Humana; Haiti

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