Dossiê - 90 anos do Estado Novo brasileira
Proponentes
Magdalena Broquetas (Universidad de la República, Uruguai)
Marco Aurélio Vannucchi (Fundação Getulio Vargas)
Mariana Joffily (Universidade do Estado de Santa Catarina)
Em 2027, serão comemorados 90 anos do regime autoritário brasileiro liderado por Getúlio
Vargas, conhecido como Estado Novo. Esse regime se inspirou nas experiências fascistas
que se desenvolviam com sucesso na Europa, em particular na ditadura instaurada por
Salazar em Portugal. Na América Latina, em geral, a década de 1930 foi marcada pelo
colapso da democracia e pelo surgimento de regimes ditatoriais de diversas tendências.
Foi um período de apogeu para organizações e movimentos de extrema-direita e pró-
fascistas que exerceram influência significativa em países como Chile e Argentina.
Esse ciclo se encerrou após a Segunda Guerra Mundial, simultaneamente à derrocada do
Estado Novo no Brasil, coincidindo com a guinada das elites políticas em direção ao
antifascismo e à defesa da democracia liberal. As experiências corporativistas e fascistas
da década de 1930 não teriam mais lugar nesse novo cenário. No entanto, a marca
ideológica desses regimes foi evidente nos ciclos de ditaduras de segurança nacional (das
décadas de 1960 a 1980), baseadas nos princípios do nacionalismo, do anticomunismo e
do autoritarismo. As raízes dessas ideias se estendem até o presente, em um momento de
emergência global de novos movimentos de direita autoritários, pós-fascistas e
nostálgicos por ditaduras.
O significado histórico e político do Estado Novo e das experiências autoritárias que o
sucederam oferecem uma oportunidade propícia para refletir sobre esses fenômenos a
partir da América Latina, a partir de uma perspectiva histórica e de uma perspectiva
comparada e conectada.
Esta proposta de dossiê visa reunir artigos que abordem diferentes dimensões dos
modelos autoritários na América Latina no século XX, em especial aqueles que
estabeleçam um diálogo com os 90 anos do Estado Novo brasileiro: explorando elementos
ainda pouco visitados pela historiografia sobre esse momento histórico, estabelecendo
suas heranças em épocas posteriores ou propondo comparações.
Os estudos comparativos podem ser tanto desse período histórico com outros,
quanto com outras experiências autoritárias na região. Essa chamada também
contempla trabalhos que proponham a análise de outros fenômenos
autoritários do século XX (regimes autoritários, ditaduras, fascismos), com
preferência a estudos comparativos – tanto de casos sincrônicos, quanto
diacrônicos – ou transnacionais, com foco na América Latina.