Dossiê - 90 anos do Estado Novo brasileira

2026-08-06

Proponentes

Magdalena Broquetas (Universidad de la República, Uruguai)

Marco Aurélio Vannucchi (Fundação Getulio Vargas)

Mariana Joffily (Universidade do Estado de Santa Catarina)

 

Em 2027, serão comemorados 90 anos do regime autoritário brasileiro liderado por Getúlio

Vargas, conhecido como Estado Novo. Esse regime se inspirou nas experiências fascistas

que se desenvolviam com sucesso na Europa, em particular na ditadura instaurada por

Salazar em Portugal. Na América Latina, em geral, a década de 1930 foi marcada pelo

colapso da democracia e pelo surgimento de regimes ditatoriais de diversas tendências.

Foi um período de apogeu para organizações e movimentos de extrema-direita e pró-

fascistas que exerceram influência significativa em países como Chile e Argentina.

Esse ciclo se encerrou após a Segunda Guerra Mundial, simultaneamente à derrocada do

Estado Novo no Brasil, coincidindo com a guinada das elites políticas em direção ao

antifascismo e à defesa da democracia liberal. As experiências corporativistas e fascistas

da década de 1930 não teriam mais lugar nesse novo cenário. No entanto, a marca

ideológica desses regimes foi evidente nos ciclos de ditaduras de segurança nacional (das

décadas de 1960 a 1980), baseadas nos princípios do nacionalismo, do anticomunismo e

do autoritarismo. As raízes dessas ideias se estendem até o presente, em um momento de

emergência global de novos movimentos de direita autoritários, pós-fascistas e

nostálgicos por ditaduras.

O significado histórico e político do Estado Novo e das experiências autoritárias que o

sucederam oferecem uma oportunidade propícia para refletir sobre esses fenômenos a

partir da América Latina, a partir de uma perspectiva histórica e de uma perspectiva

comparada e conectada.

Esta proposta de dossiê visa reunir artigos que abordem diferentes dimensões dos

modelos autoritários na América Latina no século XX, em especial aqueles que

estabeleçam um diálogo com os 90 anos do Estado Novo brasileiro: explorando elementos

ainda pouco visitados pela historiografia sobre esse momento histórico, estabelecendo

suas heranças em épocas posteriores ou propondo comparações.

Os estudos comparativos podem ser tanto desse período histórico com outros,

quanto com outras experiências autoritárias na região. Essa chamada também

contempla trabalhos que proponham a análise de outros fenômenos

autoritários do século XX (regimes autoritários, ditaduras, fascismos), com

preferência a estudos comparativos – tanto de casos sincrônicos, quanto

diacrônicos – ou transnacionais, com foco na América Latina.