Chamada de Artigos 2021/1 a 2023/1

2020-05-25

A Tempo (ISSN: 1980-542X – Qualis A1), publicação eletrônica quadrimestral de caráter público, ligada ao Departamento de História e ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal Fluminense, convida membros da comunidade acadêmica e pesquisadores a apresentarem propostas de artigos para os dossiês temáticos que serão publicados nas edições de 2021/1 a 2023/1.

 

Seguem abaixo os dossiês e seus respectivos organizadores:

2021/1

Lugares de memória e de consciência na América Latina (Izabel Pimentel da Silva e Samantha Viz Quadrat)

Prazo final para submissão: 31/08/2020

Publicação: janeiro a abril de 2021

 2021/2

Resistência, sobrevivência e associativismo: reinventando a vida nos territórios de escravidão moderna (séculos XVI-XIX) (Daniel B. Domingues da Silva e Maria Renilda Barreto)

Prazo final para submissão: 10/12/2020

Publicação: maio a agosto de 2021

2021/ 3

Histórias do tráfico humano: perspectivas para uma história social interseccional da imigração, trabalho, sexo e direitos (Cristiana Schettini e Thaddeus Gregory Blanchette)

Prazo final para submissão: 15/02/2021

Publicação: setembro a dezembro de 2021

 2022/1

A História ambiental do capitalismo no mundo colonial, séc. XV-XIX (Gabriel de Avilez Rocha e Leonardo Marques)

Prazo final para submissão: 30/04/2021

Publicação: janeiro a abril de 2022

2022/2

Êxitos e fracassos. A circulação de pessoas, práticas e conhecimentos nos mundos ibéricos. Séculos XVI – XVIII (Gibran Bautista y Lugo e Maria Fernanda Bicalho)

Prazo final para submissão: 31/08/2021

Publicação: maio a agosto de 2022

2022/3

Crises da memória na Europa contemporânea: 1918, 1945, 1989 e além (Janaína Cordeiro e Vinícius Liebel)

Prazo final para submissão: 20/12/2021

Publicação: setembro a dezembro de 2022

2023/1

Reclamando a liberdade: mulheres em busca de emancipação em sociedades escravistas nas Américas (séculos XVIII e XIX) (Maria Helena Machado e Marília Bueno Ariza)

Prazo final para submissão: 30/04/2022

Publicação: janeiro a abril de 2023

 

ATENÇÃO

Todos os artigos recebidos devem ser submetidos no site da revista Tempo e obedecer às normas de publicação da revista e dos editais (ver no site). Ao submeter o trabalho, o título do dossiê deve vir acima do título do artigo, para que possamos identificar o dossiê escolhido.

Vale ainda ressaltar que todos os artigos serão submetidos a duas etapas de avaliação. A primeira triagem será feita em conjunto entre organizadores e Conselho Editorial e a segunda por dois pareceristas (duplo-cego).

 

DETALHAMENTO DAS PROPOSTAS

(textos oferecidos pelos proponentes)

 

2021/1

Lugares de memória e de consciência na América Latina

Organizadoras: Izabel Pimentel da Silva (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e Samantha Viz Quadrat (Universidade Federal Fluminense)

 

As experiências autoritárias do século XX foram marcadas, dentre outros fatores, pelo uso intenso da violência na perseguição aos seus oponentes ou aos grupos sociais considerados “indesejáveis” ao novo regime. Para dar conta do acionar repressivo, lugares foram construídos e/ou adaptados com o intuito de prender, torturar e exterminar a oposição. As dependências oficiais militares e policiais não foram as únicas utilizadas. Residências privadas, como a Casa da Morte, em Petrópolis; oficinas de carros, como a Orletti, em Buenos Aires; estádios de futebol, como o Nacional, em Santiago, são alguns exemplos da diversidade dos espaços utilizados para a repressão. Alguns desses lugares já eram conhecidos e denunciados durante as próprias ditaduras. Outros seguem sendo identificados no período democrático. Desde a transição política esses espaços viraram alvos de intensa disputas. Não se trata simplesmente de cenários onde as graves violações de direitos humanos haviam ocorrido, mas provas judiciais nos processos que foram abertos em diferentes cortes ao redor do mundo. Despertaram também o debate sobre o que deveria ser feito com esses lugares na construção do ideal do nunca mais, ou seja, que não apenas as ditaduras não iriam se repetir, como também uma política de extermínio dentro do que hoje considera-se terrorismo de Estado. As Forças Armadas ou policiais deveriam permanecer ali? O que fazer com as propriedades privadas devolvidas pela repressão aos seus proprietários? Se já estavam identificados, era necessário recuperá-los e dar um novo sentido aos espaços, mas como? Essa tem sido uma das principais demandas no âmbito do conjunto de políticas de memória exigidas por organizações de direitos humanos, atingidos direta ou indiretamente pela ditadura e não raramente por vizinhos que foram parte importante da identificação do funcionamento do espaço como um lugar de repressão. A recuperação dos espaços não tem sido um consenso nos países da América Latina. Considerados “lugares de memória” da história recente, esses espaços aos poucos têm sido transformados também em “lugares de consciência”, ou seja, uma vez abertos ao público procuram gerar empatia com as vítimas e a condenação das ações que ali ocorreram, bem como das próprias ditaduras. Para isso, recebem visitas escolares – seu maior público – e passaram a integrar o que conhecemos como turismo de memória.   

 

Sites of Memory and Conscience in Latin America

 The authoritarian experiences of the XX century were marked , among other factors, by the intense use of violence during the persecution of their oponents or of the social groups considered "unwanted" by the new regime. To match its repressive status, places were built and/or adapted with the attempt to arrest, torture and exterminate oposition. The official military facilities were not the only ones that were used. Private sites, such as, the "Casa da Morte", in Petrópolis, garages, as Orletti, in Buenos Aires; football stadiums, as the "Nacional", in Santiago, are a few of the examples of the diversity of sites used for repression. Some of these places were known and denounced during the dictatorship times. Others have been identified throughout the democratic period. Since the political transition these sites have been turned into targets of intense dispute. This is not only about the scenery where serious violatios of human`s rights took place but also about judicial evidences for the lawsuits that were taken in courts all over the world. They rose the debate over what should be done with these places in terms of the ideal of the "Never More", which means, that not only the dictatorship structure of government would never repeat itself but also the extermination politics inside of what is considered state terrorism. Should the Armed Forces or the Police remain there? What should be done with the private properties returned by the repression to their owners? If they were identified, would it be necessary to get them back and give them a new meaning? If so, how could it be done? This has been one of the greatest challenges in terms of politics of memory demanded by Human´s rights organizations, direct or indirectly hit by dictatorship and not rarely by neighbours that were an important part of the identification of the space as a repression place. In the countries in Latin America it has been difficult to achieve a consensus about the recuperation of these places. Places considered as "sites of memory" of recent History, these places have little by little been transformed into places of conciousness, in other words, once they are opened to the public they generate empathy towards the victims and conviction of the actions that happened there and of the dictatorship system as well. For this they receive school trips – their biggest public – and then start to integrate what we know as memory tourism.

 

2021/2

Resistência, sobrevivência e associativismo: reinventando a vida nos territórios de escravidão moderna (séculos XVI-XIX)

Organizadores: Daniel B. Domingues da Silva (Rice University) e Maria Renilda Barreto (Centro Federal de Educação Celso Suckow da Fonseca – Rio de Janeiro)

 

O ressurgimento da escravidão no início da era moderna provocou o deslocamento forçado de milhões de indivíduos, submetendo-os a si e seus descendentes a condições de vida degradantes. A historiografia recente tem revelado que a escravidão fomentou alterações que extrapolaram a esfera econômica, modificando as interações sociais, cultuais, cientificas, artísticas, filosóficas, linguísticas, educacionais, territoriais, jurídicas dentre outros campos das relações humanas. Este dossiê convida os pesquisadores a apresentarem resultados inéditos de uma agenda de investigação que problematize a dinâmica das relações socais – em todos os seus quadrantes – discutindo como as populações escravizadas e libertas montaram estratégias de sobrevivência e de reinvenção em territórios demarcados pela escravidão moderna. Submissões concentradas em qualquer região do Atlântico serão bem-vindas, particularmente trabalhos que abordem como escravos e libertos deram novo significado a diversas formas de associativismo: ensino, saúde, lazer, direito, arte, trabalho dentre outras.

 

Resistance, survival, and associativism: reinventing life in the spaces of modern slavery (16th-19th centuries)

 The resurgence of slavery at the early Modern Era resulted in the forced dislocation of millions of individuals, submitting them and their descendants to degrading living conditions. Recent studies have shown that the impacts of slavery extended well beyond the economic realm, affecting social, cultural, scientific, artistic, philosophical, linguistic, educational, territorial, and juridical relations, among other areas of the humanities. This special issue invites researchers to discuss new results of a research agenda that questions the dynamics of the social relations – in all its forms – focusing on how slave and freed people created strategies of survival and reinvention of life in spaces dominated by modern slavery. Submissions focused on any region of the Atlantic are welcome, particularly those approaching how slave and freed people gave new meaning to different ways of associativism: education, health, law, art, work among others.

 

2021/ 3

Histórias do tráfico humano: perspectivas para uma história social interseccional da imigração, trabalho, sexo e direitos

Organizadores: Cristiana Schettini (CONICET/Universidad Nacional de San Martín) e Thaddeus Gregory Blanchette (Universidade Federal Fluminense / Universidade Federal do Rio de Janeiro)

 

Nas últimas décadas, tem-se observado um ressurgimento de temas associados ao tráfico humano na agenda política de muitas partes do globo. Especialistas de diversas áreas têm estudado este fenômeno através dos mais diversos registros disciplinares e teóricos. Por uma série de razões, a história, e em particular a história social, cumpre um papel fundamental neste panorama. A mais visível se refere às aparências de continuidade e às semelhanças entre as linhas narrativas básicas das histórias de tráfico atuais e as de outros momentos, o que demanda uma reflexão cuidadosa. Em segundo lugar, a temática do tráfico – e particularmente o tráfico para fins de exploração sexual – se relaciona com a história de políticas e processos imigratórios, com a história do trabalho, com a história da produção de racismos, e com a história social da justiça e do direito, além obviamente, das relações de gênero e a sexualidade. Em terceiro lugar, as dimensões internacionais que costumam assumir as histórias de tráfico exigem abordagens particularmente atentas aos desafios das escalas de análise, às abordagens conectadas e ao caráter situado do conhecimento. Para enfrentá-los, torna-se particularmente proveitoso o diálogo entre a história e a antropologia em função de preocupações compartilhadas tal como, por exemplo, a preocupação com as ações e percepções “nativas” e com o caráter social e historicamente construído do tráfico.

Estas dimensões nos animam a propor um dossiê sobre estudos recentes sobre histórias de tráfico a partir de uma perspectiva centrada no sul global. O dossiê reunirá abordagens que privilegiam um enfoque empírico da construção social e histórica do “tráfico para fins de exploração sexual”, indagando especificamente sobre a construção e a aplicação histórica de categorias jurídicas sobre a figura do tráfico humano ao longo da mutável trajetória desse conceito desde o século XIX até a atualidade. Privilegiaremos contribuições que explorem as conexões entre os conceitos atuais de tráfico e outras construções prévias, e que abordem o processo de criminalização de certas práticas e perfis migratórios. Abordagens interseccionais são particularmente bem-vindas, considerando que o conceito de tráfico se (re)produz como campo de emergência na intersecção de gênero, raça/cor/etnicidade, sexualidade, trabalho, e migração.

 

There has been a resurgence of issues associated with human trafficking in the political agenda of many parts of the globe in recent decades. Experts from different areas have studied this phenomenon employing the most diverse disciplinary and theoretical approaches. For a number of reasons history -- and social history in particular – has played a fundamental role in this scenario. The most visible reason refers to the appearances of continuity and the similarities between the basic narrative lines of current trafficking stories and those of other moments, which requires careful reflection. Secondly, the issue of trafficking -- and particularly trafficking for the purpose of sexual exploitation -- is related to the history of immigration policies and processes, the history of work, the history of racism, and the social history of justice and law, in addition (obviously) to the history of gender relations and sexuality. Third, the international dimensions that histories of trafficking tend to assume require approaches that are particularly attentive to the challenges of analytical scale, the interconnected approaches, and the situated character of knowledge. Dialogues between history and anthropology have been particularly useful in facing these challenges in terms of shared concerns, such as the unraveling the interlinkages between “native” actions and perceptions and the social and historically constructed character of trafficking, particularly on an international level.

These dimensions lead us to propose a dossier on recent studies of the history of trafficking from a perspective centered on the global south. The dossier will bring together works that privilege an empirical approach to the social and historical construction of “trafficking for the purpose of sexual exploitation”, asking specifically about the construction and historical application of legal categories with regards to human trafficking, along with the changing trajectory of the concept from the 19th century to the present. We will privilege contributions that explore the connections between current trafficking concepts and other previous constructions, and that address the process of criminalizing certain migratory practices and profiles. Intersectional approaches are particularly welcome, considering that the concept of trafficking is (re)produced as an emergent field at the intersection of gender, race/color/ethnicity, sexuality, work, and migration.

 

2022/1

A História ambiental do capitalismo no mundo colonial, séc. XV-XIX

Organizadores: Gabriel de Avilez Rocha (Drexel University / Brown University) e Leonardo Marques (Universidade Federal Fluminense)

 

Diante de incertezas profundas sobre o futuro do ambiente planetário, a atual conjuntura tanto histórica quanto historiográfica requer um novo olhar às relações entre dinâmicas sociais e processos ecológicos cujo impacto na ordem global tem sido preponderante. Contextos coloniais que, em conjunto, levaram a cabo a consolidação do capitalismo mundial formam uma frente importante de tal projeto. Explorando as dimensões ambientais do capitalismo histórico fundado no imperialismo moderno, o presente dossiê busca abrir novas perspectivas sobre os modos em que sociedades coloniais, políticas de expansão, e economias extrativistas e expropriativas enquadraram-se e articularam-se dentro de uma ecologia planetária entre os séculos XV e XIX.  Com base em trabalhos pioneiros na História Ambiental e na Nova História do Capitalismo, buscamos reunir abordagens multiescalares da história ambiental do colonialismo que trazem novos modelos empíricos e teóricos para melhor situarmos o ambiente em relação a fenômenos sociais, políticos, e econômicos que contribuíram à formação do sistema capitalista global.

 

The Environmental History of Capitalism in the Colonial World, 15th-19th centuries

In the face of profound uncertainties relating to the environmental future of the planet, the present historical and historiographical moment calls for revisiting the relationship between social and ecological processes whose impact on the global order has been significant. Colonial scenarios that, in tandem, contributed to the consolidation of capitalism on a world scale entail an important arena for such a research agenda. Exploring the environmental dimensions of capitalism as a historical process grounded in early modern imperialism, the present special issue seeks to open new perspectives on the ways in which colonial societies, politics of expansion, and economies of extraction and dispossession developed and were framed by a planetary ecology between the fifteenth and nineteenth centuries. Founded on pioneering works in Environmental History and the New History of Capitalism, we look to bring together multiscalar approaches to the environmental history of colonialism that develop new empirical and theoretical models in order to better situate the environment in relation to the social, political and economic phenomena that contributed to the formation of the global capitalist system.

 

2022/2

Êxitos e fracassos. A circulação de pessoas, práticas e conhecimentos nos mundos ibéricos. Séculos XVI – XVIII

Organizadores: Gibran Bautista y Lugo (Universidad Nacional Autónoma de México) e Maria Fernanda Bicalho (Universidade Federal Fluminense)

 

A circulação de pessoas, saberes e práticas nos reinos ibéricos e em seus domínios ultramarinos constituiu um fator de conservação de suas monarquias. Nosso objetivo neste dossiê é explorar diversas histórias de mobilidade entre Portugal e Espanha e seus territórios na Ásia, África e América, a fim de conhecer suas trajetórias, os vínculos que mantiveram com aqueles que não se aventuraram para além de seus lugares de nascimento, com o propósito de avaliar seu papel no êxito ou fracasso dos circuitos imperiais de governo e justiça que os sustentaram.

 

Successes and failures. Circulation of people, practices and knowledge in the Iberian worlds. 16th - 18th centuries

The circulation of people, knowledge and practices in the Iberian kingdoms and in their overseas domains constituted a factor in the conservation of their monarchies. Our objective in this dossier is to explore several stories of mobility between Portugal and Spain and their territories in Asia, Africa and America, in order to know their trajectories, the bonds they maintained with those who did not venture beyond their birthplace, with the purpose of assessing their role in the success or failure of the justice and the imperial government circuits that sustained them.

 

2022/3

Crises da memória na Europa contemporânea: 1918, 1945, 1989 e além

Organizadores: Janaína Cordeiro (Universidade Federal Fluminense) e Vinícius Liebel (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

 

Nas últimas três décadas, a Europa tem vivido um período de intensas transformações em sua autoimagem, com implicações fundamentais nos campos cultural e político. Boa parte desse fenômeno está relacionada com as políticas de memória e sua decantação, tanto entre as populações nacionais quanto no nível da comunidade europeia. Os objetos dessas “crises da memória”, como define Susan Suleiman (Crises de Memória e a Segunda Guerra Mundial. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2019), ganham variações nacionais e locais, mas respondem a alguns momentos-chave da história recente do continente: a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, o Holocausto, a desagregação do bloco socialista e a formatação da União Europeia. Violência, crise e autoritarismo se mesclam com ideias de cosmopolitismo, liberdade e igualdade, formando um complexo mosaico que habita o imaginário conjunto do continente, mas que evidencia tensões nos (e por vezes entre) os lugares (NORA, Pierre. Between Memory and History: Les Lieux de Memoire. Representations. n. 26, spring 1989. 7-24) e espaços (ASSMANN, Aleida. Erinnerungsräume: Formen und Wandlungen des kulturellen Gedächtnisses. München: C. H. Beck, 2006) de memória.

A memória, em suas variantes comunicativa, cultural e política, surge como uma questão de primeiro plano na tensão entre uma identidade europeia e as variadas identidades nacionais. Tensão que remete à violência, ao trauma e à responsabilidade, mas também a problemas mais recentes relativos ao processo de ampliação da União Europeia e da integração de memórias conflitantes (DROIT, Emmanuel. Le Goulag contre la Shoah. Mémoires officielles et cultures mémorielles dans l'Europe élargie. Vingtième Siècle. Revue d'histoire, 2007/2 no 94, p. 101 à 120.). Nessa crise que se verifica, o contexto de ascensão do populismo, de fissura da União Europeia, de crescente xenofobia e islamofobia agravados pela crise dos refugiados impõe aos historiadores novos horizontes, apresentando releituras e reinterpretações do passado, trazendo novas perspectivas que, a um só tempo, evidenciam a atualidade da temática e sugerem uma perspectiva universalizante e globalizada. Seguindo essa premissa, o dossiê aqui proposto visa dialogar com essas novas perspectivas dos estudos historiográficos e de memória, pautando-se pela diversidade temática, contextual e geográfica, ainda que mantendo como base a matriz imaginária europeia.

 

Crises of memory in contemporary Europe: 1918, 1945, 1989 and beyond

Over the past three decades, Europe has experienced a period of intense transformations in its self-image, with fundamental implications in culture and politics. Much of this phenomenon is related to memory policies and their decantation, both among national populations and at the level of the European community. The objects of these "memory crises", as defined by Susan Suleiman (Crises de Memória e a Segunda Guerra Mundial. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2019), have national and local variations, but respond to some key moments in the recent history of the continent: the First and Second World Wars, the Holocaust, the fall of the socialist bloc and the genesis and development of European Union. Violence, crisis and authoritarianism are mixed with ideas of cosmopolitanism, freedom and equality, forming a complex mosaic that lies within the European imaginary, but also reveals tensions in (and sometimes between) places (NORA, Pierre. Between Memory and History: Les Lieux de Memoire. Representations. n. 26, spring 1989, 7-24) and spaces (ASSMANN, Aleida. Erinnerungsräume: Formen und Wandlungen des kulturellen Gedächtnisses. München: C. H. Beck, 2006) of memory.

Memory, in its communicative, cultural and political variants, appears as an important issue in the tension between a European identity and the varied national identities. Tension that refers to violence, trauma and responsibility, but also to more recent problems related to the European Union's expansion process and the integration of conflicting memories (DROIT, Emmanuel. Le Goulag contre la Shoah. Mémoires officielles et cultures mémorielles dans l'Europe élargie. Vingtième Siècle. Revue d'histoire, 2007/2 no 94, p. 101 à 120). In this crisis, the context of growing populism, the fissure of the European Union, the growing xenophobia and Islamophobia aggravated by the refugee crisis imposes on historians new horizons, presenting reinterpretations and reinterpretations of the past, bringing new perspectives that, for a single time , highlight the topicality of the topic and suggest a universal and global perspective. Following this premise, the here proposed dossier aims to dialogue with these new perspectives in historiographic and memory studies, based on thematic, contextual and geographical diversity, while maintaining the European imaginary matrix as a base.

 

2023/1

Reclamando a liberdade: mulheres em busca de emancipação em sociedades escravistas nas Américas (séculos XVIII e XIX)

Organizadoras: Maria Helena Machado (Universidade de São Paulo) e Marília Bueno Ariza (Universidade de São Paulo)

 

Este dossiê propõe investigar a participação de mulheres nos processos de emancipação e abolição em sociedades escravistas nas Américas. Buscando analisar, em perspectiva interseccional, as imbricações entre gênero, raça e escravidão, o dossiê pretende estimular contribuições que reflitam sobre representações, atuações e práticas sociais de mulheres negras que atuaram nas disputas em torno da desagregação da escravidão em diferentes contextos do mundo atlântico. Paralelamente, este dossiê também se interessa em refletir sobre o papel de mulheres brancas neste processo, buscando, por contraste, comparação e/ou intersecção, colocar em foco a questão da construção e circulação de diferentes concepções do gênero feminino, aprofundando nossa compreensão sobre a atuação de mulheres negras como agentes da emancipação.

 

Claiming freedom: women in search of emancipation in slave societies in the Americas (18th and 19th centuries)

This proposal aims to investigate the roles played by women in emancipation and abolition processes in slave American societies. Through an intersectional approach of the relations between gender, race and slavery, it intends to foster reflections on social representations, actions and practices that fueled disputes over the end of slavery in different contexts of the Atlantic world. At the same time, it proposes to examine the roles played by white women in this context, by contrasting, comparing and/or intersecting them with those played by black women, thus focusing on the elaboration and circulation of different gender conceptualizations in order to deepen our knowledge on the actions of the latter as agents of emancipation.