Chamada de Artigos - Dossiê 2023/2

2022-05-15

Chamada de Artigos

Dossiê 2023/2 - Livros, periódicos e "papéis efêmeros" no espaço iberoatlântico

Organizadores: Giselle Venancio (Universidade Federal Fluminense) e Nuno Medeiros (Universidade de Lisboa)

Prazo final para submissão: 31/08/2022 - Prorrogado para 20/09/2022

A arena global do livro, dos periódicos e até dos “papéis efêmeros” relacionados aos espaços do poder, tem sido analisada e caracterizada como o resultado complexo de campos e mercados observados e interpretados a partir de uma escala nacional. Embora os múltiplos casos de histórias nacionais do livro, da edição e da circulação de impressos e manuscritos, publicados em várias obras nas últimas duas décadas, ilustrem o sucesso desta via de compreensão do fenômeno e de seus méritos para o avanço do conhecimento aprofundado do universo da cultura escrita (impressa ou manuscrita), esta tradição suscita e tem suscitado uma avaliação crítica dos seus fundamentos. Este movimento crítico suporta-se essencialmente numa hermenêutica dos mecanismos de produção, disseminação e uso da observação sobre os impressos e manuscritos como tradução rugosa, contraditória e inscrita em estruturas históricas dificilmente acantonadas na escala de um país e, por isso, dificilmente inteligíveis apenas com base nesta escala. Na verdade, cada espaço de criação e apropriação de textos postos em circulação é um produto concreto de inserção contingente em redes de diversa compleição e densidade, através das quais se materializa um fluxo de objetos manuscritos e impressos e de ideias, movimento no qual se estabelecem sistemas de ligações entre vários países. Nesse sentido, procurar explicar os modos de movimentação dos textos em espaços nacionais é abordá-los como um elemento que se integra num conjunto mais vasto, contemplando abertura, interpenetração e apropriação. Ou seja, as formas através das quais se processa a circulação da cultura escrita ocorrem a partir de vários polos e geram circuitos complexos de influência e resistência, cruzamento e especificidade, infidelidade e incorporação. Analisar esses processos na extensão que delimitamos como Iberoatlântica exige uma atenção especial aos espaços e tempos históricos concretos de circulação de gente e de objetos da cultura escrita, formados por sistemas de relação fundados em fatores como a língua, as relações geopolíticas de proximidade e a construção de mercados de circulação de ideias no quadro de estruturas como o império ou o capitalismo tardio. Através de um conjunto diversificado de estudos que esperamos venha a constituir o dossiê que propomos, procuraremos fornecer pistas para uma interpretação dos processos complexos que forjam a possibilidade de uma cultura letrada, sobretudo através de manuscritos e impressos que circularam em português e em espanhol no espaço Atlântico.