: Chamadas

Próximas chamadas:

 

Vol. 21/1 (janeiro, fevereiro, março, abril/ 2019)

Tema: Livre

Prazo de recepção: 16/05/2018 a 15/09/2018

 

 

Vol. 21/2 (maio, junho, julho, agosto/2019) 

Tema: O Spleen de Paris: 150 anos

Os poemas em prosa de Baudelaire, reunidos postumamente em junho de 1869, no quarto volume das Obras completas do poeta (Paris: Michel Lévy), organizadas por Théodore de Banville e Charles Asselineau, teriam marcado um “começo absoluto”, segundo a apreciação de Georges Blin. São inovadores na intenção do poeta de aplicar “à descrição da vida moderna, ou sobretudo de uma vida moderna e mais abstrata” o procedimento aplicado anteriormente por Aloysius Bertrand à “pintura da vida antiga”, em seu Gaspard de la Nuit. A esse interesse inédito pelo transitório, que caracteriza a modernidade, associa-se ainda a descoberta de uma nova forma: “uma prosa poética, musical sem ritmo e sem rima”, conforme se lê na carta endereçada ao editor Arsène Houssaye, que encabeça a primeira série de poemas em prosa publicada no jornal La Presse em 26 de agosto de 1862. Por um lado, Le Spleen de Paris coloca em xeque a própria noção de poesia lírica, o que nos permite enxergá-lo como ponto de partida de uma tradição anti-lírica ou anti-poética (Jean-Marie Gleize) que se consolidaria anos mais tarde.  Por outro, é possível reconhecer também, nos poemas em prosa, linhas de continuidade em relação à tradição romântica. Concebidas para a publicação em jornais, muitos dos quais de grande circulação e voltados para um público tradicionalmente avesso à poesia, as “bagatelas laboriosas” de Baudelaire, para retomar uma expressão usada por ele em uma carta a Sainte-Beuve datada de 4 de maio de 1865, destacam-se também pela ambivalência em relação às “coisas modernas”, constituindo mais um desafio para a recepção leiga e especializada. Não por acaso, esta última demorou tanto tempo para se afirmar. Até meados da década 1970, os trabalhos críticos dedicados aos poemas em prosa de Baudelaire eram significativamente menos numerosos que aqueles consagrados aos poemas em verso, conforme a contagem de Claude Pichois. No final da década de 1950, eles ainda eram lidos como esboços abortados de poemas em verso, como peças sem identidade própria, como se lê no trabalho de Suzanne Bernard, Le Poème en prose de Baudelaire à nos jours, de 1959, o que evidencia a dificuldade da crítica em compreender o projeto baudelairiano de passagem para prosa. Nas últimas décadas, contudo, o livro e sua complicada história editorial têm despertado o interesse de diversos críticos, como Edward Kaplan (1990), Steve Murphy (2000), Patrick Labarthe (2000) e Antoine Compagnon (2014), para citar apenas algumas referências. Este número da revista ALEA dedicado à releitura dos poemas em prosa de Baudelaire e de sua jovem porém intensa recepção crítica espera receber artigos que contemplem justamente as questões que a obra continua a nos colocar cento e cinquenta anos depois de sua publicação; questões que começam com toda a problemática filológico-editorial ligada à manipulação do material literário por terceiros, na ocasião da organização póstuma do livro, passando pelo exame dos vestígios de uma poética da prosa em outros escritos de Baudelaire, e se consolidam com a vasta recepção poética e crítica da obra, abrindo-se sempre para novas leituras dos poemas em prosa isoladamente ou em conjunto. Submissões que tratem de questões ligadas à tradução dos poemas em prosa baudelairianos, de sua singular poética, assim como do gênero em si, também serão de interesse para esse número especial.

Editores Convidados:

Andrea Schellino - Université Paris-Sorbonne (Paris IV)

Aurélia Cervoni- Université Paris-Sorbonne (Paris IV)

Eduardo Veras- Universidade Federal do Triângulo Mineiro

Gilles Abes- Universidade Federal de Santa Catarina 

Prazo de recepção: 16/09/2018 a 15/01/2019

 

 

Vol. 21/3 (setembro, outubro, novembro e dezembro de 2019)

Tema: Literatura e Pobreza

Qual é a relação entre literatura e pobreza? A pobreza é um tópico ou um limite para a literatura? O que acontece quando os pobres são representados literariamente; ocorre aí necessariamente uma perda de autenticidade? Ser pobre, em oposição a ser marginal, é uma identidade? Como a pobreza poderia iluminar uma política identitária? Como a pobreza e o capital simbólico podem ser correlacionados?  Estas são apenas algumas das questões que gostaríamos de propor para este número da Alea, que sugerem, mas não delimitam, o escopo do volume. Convidamos pesquisadores a submeter trabalhos quaisquer aspectos da relação entre literatura e pobreza, desde a pobreza dos autores, passando pela do mercado, e chegando a formas simbólicas de pobreza. 

Editores Convidados:

Suman Gupta (The Open University- UK)

Fabio Akcelrud Durão (Universidade de Campinas- Brasil) 

Prazo de recepção: 16/01/2019 a 15/05/2019