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Proximas Chamadas

2020-03-02

Próximas Chamadas de Alea. Estudos Neolatinos

Vol. 23/3 (setembro, outubro, novembro, dezembro/2021)

Tema: César Aira: autoria, crítica e tradução

Conhecido pela defesa do uso do procedimento enquanto valor literário, o que também quer dizer, por colocar o processo de escrita num lugar de maior importância do que o produto final, a obra de César Aira é estudada em todos os circuitos acadêmicos e literários pelo uso de elementos trash, pela aceleração da temporalidade do relato, pela autorreflexividade e, nos últimos anos, pelo trabalho com a autoficção. Sandra Contreras (Las vueltas de César Aira, 2001, p. 11) aponta para a centralidade da categoria de procedimento em Aira, não só para a sua literatura, mas para o modo como lê os autores aos quais se dedica: “[Em seus ensaios] sempre se trata de captar e de interpretar o procedimento, ou o processo em si, que define uma obra, um gênero, um movimento literário.” É de César Aira também a defesa do escritor enquanto mito literário que faz existir o livro. Alan Pauls (Temas Lentos, 2012, p. 169), a partir da constatação de que "se há uma obra de César Aira, ela tem a forma, a natureza, o modo de apresentação escorregadio de um delta ou de um arquipélago", se pergunta: “Que imagem de escritor se pode deduzir dessa estranha compulsão à ubiquidade? A de um autor de culto? Um autor para consumidores selvagens de histórias? Um autor para vanguardistas? Um autor para aprendizes de escritores?” Essa enumeração de possíveis facetas tem por base a profusão de livros e temas do autor e suas numerosas inovações que contrastam com qualquer tentativa de consolidação do estatuto do literário. Nesse sentido, produz inquietantes reflexões sobre a tábua de conceitos que sustenta o que se convencionou chamar de contemporâneo, concebendo mesmo a literatura na sua aspiração a tornar-se “arte contemporânea”, como aponta a instigante reflexão de Reinaldo Laddaga em Espectáculos de realidade (2007). No presente número de Alea, esperamos receber contribuições que explorem a produção de César Aira, como autor, tradutor, crítico e figura intelectual que intervém no cenário contemporâneo pelo menos há quatro décadas. 

Editores Convidados:

Ieda Magri (UERJ)

Luciene Azevedo (UFBA)

Cristian Molina (Universidade Nacional de Rosario- UNR) 

Prazo de recepção: 16/01/2021 a 15/05/2021

 

 

Vol. 24/1 (janeiro, fevereiro, março, abril /2022)

Tema Livre

Prazo de recepção: 16/05/2021 a 15/09/2021

 

 

 Vol. 24/2 (maio, junho, julho, agosto/2022)

Tema: Impactos da Segunda Guerra e da Guerra Fria na literatura

Tzvetan Todorov, em Mémoire du mal. Tentation du bien (2000), observa que "o século das trevas não está totalmente oculto. Alguns dos indivíduos que por ali andaram poderão nos servir de guias nesta travessia do mal". Nesse ensaio, Todorov identifica escritores como guias que podem nos ajudar a entender os acontecimentos do século XX, sobretudo a mais brutal e absurda das guerras, em que foram mortas 50 a 60 milhões de pessoas, aproximadamente, durante seis anos. Esses guias de que nos fala Todorov são encontrados na literatura, em todas as suas formas, em textos poéticos, ficcionais, dramáticos, em ensaios e em um vasto arquivo de diários, memórias, relatos testemunhais e autobiografias produzidos em referência a esse acontecimento. Esse conjunto de textos inclui também a geração dos escritores da "pós-memória" (Marianne Hirsch). Esses escritos permitem que pessoas que não viveram durante a Segunda Guerra tenham acesso a memórias que revelam o traumático passado. Muitos desses escritores buscaram refúgio em outros países, e até em outros continentes, como aconteceu com os intelectuais e artistas que emigraram para as Américas.

Já o período pós-Guerra deu início à Guerra Fria (1947-1991) entre o bloco de nações capitalistas, lideradas pelos EUA, e o bloco das nações socialistas, lideradas pela URSS. Os adversários criaram uma retórica agressiva e ameaçadora para o mundo, buscaram coalizões com outros países e competiram no campo tecnológico e na corrida armamentista e espacial.  Eis alguns dos fatores que causaram grande tensão no mundo que recém saíra de uma guerra catastrófica: o Muro de Berlim, construído em 1961, que dividiu a Alemanha em Oeste e Leste e a Crise dos Mísseis em 1962. Esses são alguns dos momentos-chave da polarização durante a Guerra Fria, um período no qual ações de americanos e soviéticos impactaram o mundo.

Este número da Revista Alea está aberto a artigos que versem sobre esse tema - O impacto da Segunda Guerra e da Guerra Fria na Literatura. Esses manuscritos podem trazer discussões sobre romances, poemas, textos dramáticos e ensaios, como também memórias, diários, autobiografias e gêneros afins, que deram forma a um "espaço biográfico" (Leonor Arfuch), expressivo do impacto desses eventos na literatura. Os artigos podem mostrar como, em um dado momento histórico (no caso os da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria), "formas dissimilares" na literatura revelam subjetividades, tensões, medo e luta pela sobrevivência. 

Editores convidados:

Profa. Dra. Yanli He (Sichuan University)

Prof. Dr. Nicholas Birns (New York University)

Profa. Dra. Ana Maria Lisboa (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

Prof. Dr. Jaime Ginzburg (Universidade de São Paulo) 

Prazo de recepção: 16/09/2021 a 15/01/2022

 

 

Vol. 24/3 (setembro, outubro, novembro, dezembro/2022)

Tema Livre

Prazo de recepção: 16/01/2022 a 15/05/2022

 

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