Rosa Maria Vieira e o sonho de Furtado: reforma, política e ideologia
DOI:
https://doi.org/10.1590/2j3ama64Resumo
No centenário do nascimento de Furtado, surpreende pensar que seu trabalho teórico continua extremamente atual para compreender a situação de retrocesso que o país hoje vive. Talvez ele mesmo pensasse que sua análise do subdesenvolvimento estava centrada em uma determinada época, uma teoria datada para um momento específico da história dos anos 1950-60, e que hoje teria sido superada pelo desenvolvimento. Talvez ele mesmo não desejasse ser tão atual, que os problemas e questões que ele debateu e se debateu para resolver em meados do século XX ainda estivessem presentes no início da terceira década do século XXI, e que as mesmas elites do atraso que dominavam à época tivessem ainda tanto poder como em uma síndrome de “Lampedusa”, mudando para continuar igual. Quando Furtado poderia imaginar que o Brasil pudesse se desindustrializar tanto e retroceder à condição de primário-exportador de soja e minério de ferro, produtos com menor efeito dinâmico sobre a atividade econômica do que era o café há mais de 100 anos. Seria também talvez uma grande surpresa ver que nosso principal mercado é a China, um país que saiu do subdesenvolvimento pelo processo de industrialização avançando, por substituição de importações, no controle tecnológico de setores chaves, país que desponta como potência global. É a atualidade de Furtado que torna o livro de Rosa Maria Vieira importante, não só para aqueles que desejam entender o pensamento de Furtado, mas para compreender a gênese da estrutura do atraso atual.
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