Proximas Chamadas
Vol. 28/3 (setembro, outubro, novembro, dezembro/2026)
Tema: Descolonização do saber: a China e as literaturas neolatinas em diálogo
Editores Convidados:
Fan Xing (Universidade de Pequim)
Fabio Akcelrud Durão (Unicamp)
Wei Ran (Universidade Tsinghua)
Zhang Wen (Universidade de Pequim)
Recepção: 16/01/2026 a 15/05/2026
Ementa:
O campo acadêmico contemporâneo apresenta um paradoxo: a centralidade do inglês como língua de mediação limita o diálogo direto entre países não centrais, mantendo tradições críticas fora do eixo do Norte Global em condição de invisibilidade. Na China, a leitura, a tradução e a crítica das literaturas neolatinas — portuguesa, espanhola, francesa, italiana e romena — já têm certa escala, mas ainda não receberam reconhecimento internacional suficiente. Ao mesmo tempo, a circulação da literatura chinesa no mundo neolatino carece de um enquadramento metodológico sólido. Nesse contexto, reduzir a dependência de mecanismos intermediários e privilegiar interações diretas entre chinês e português/espanhol/francês/italiano/romeno significa não apenas criticar os sistemas vigentes, mas também responder às novas condições disciplinares. Esse movimento amplia o horizonte: do diálogo sino-europeu tradicional às atuais interações sino-africanas e sino-latino-americanas, revelando novas dinâmicas no cenário literário global.
O dossiê Descolonização do saber: a China e as literaturas neolatinas em diálogo propõe repensar os estudos comparativos a partir de relações horizontais e plurilíngues, destacando como as trocas diretas entre a China e o mundo neolatino podem renovar as categorias críticas e abrir novos caminhos para a produção de conhecimento literário em escala global. Visto isso, convidam-se trabalhos que abordem, entre outros temas: estudos das literaturas neolatinas a partir da perspectiva chinesa; paradigmas chineses na pesquisa das literaturas neolatinas; transferências culturais nas traduções recíprocas entre a China e as literaturas neolatinas; reinterpretações da literatura chinesa por tradutores neolatinos; interações e intertextualidades entre a China e as literaturas neolatinas; o diálogo sino-neolatino e o sistema da literatura mundial; o diálogo sino-neolatino e a produção transcultural do conhecimento.
Vol. 29/1 (janeiro, fevereiro, março, abril/2027)
Tema: Poéticas transandinas, transamazônicas e meso-americanas: repertórios ampliados e os arquivos latino-americanos
Editoras Convidadas:
Carla Dameane Pereira de Souza – Universidade Federal de Viçosa, Brasil
Eleonora Frenkel Barretto – Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil
Patricia Henríquez Puentes – Universidad de Concepción, Chile
Recepção: 16/05 a 15/09 de 2026
Ementa:
Ao considerarmos que as cosmovisões, epistemes e expressões subjetivas dos povos originários e dos sujeitos migrantes nas diversas áreas culturais latino-americanas encontram-se presentes em diversos arquivos e em diferentes linguagens, que expandem o campo do literário e até a própria noção de poética, esta chamada da revista Alea pretende destacar a diversidade dessas praticas e refletir sobre como emergem na atualidade e se colocam em horizontalidade e em disputa com as produções artísticas já consolidadas no cânone literário e da história da arte.
Algumas inquietações sustentam a chamada para o dossiê: Como os estudos literários e culturais, assumidos desde as perspectivas de áreas como a andina, a meso-americana e a amazônica, intervêm no atual contexto de crises políticas, climáticas e de colapso do antropoceno? Quais são as memórias e os repertórios andinos, amazônicos e centro americanos banidos pelos arquivos da história da literatura latino-americana e presentes na arte, na literatura, na teoria e na crítica contemporâneas, que redefinem a própria noção de latino-americano, marcada pela extraterritorialidade, pela transnacionalidade e pelo multilinguismo?
Para tentar dar respostas a essas interrogantes, contamos com alguns insumos teóricos: a poética do índio e da mestiçagem, de José Maria Arguedas (2014), a poética do sujeito migrante, de Antonio Cornejo Polar (1996) e a do chicha, de Dorian Espezúa Salmon (2009), como proposições que tentam compreender as dinâmicas criativas, no Peru, atravessadas pela presença das culturas e dos idiomas de povos originários em distintos momentos de transformação histórico-social; a poética do ch’ixi, que devém das discussões de Silvia Rivera Cusicanqui (2018) em torno às contradições presentes e em conflito no mundo indígena face à modernidade ocidental, a partir da experiência dos povos originários na Bolívia; a poética do xampurria, de Javier Milanca Olivares (2018) e Daniela Catrileo (2024), em torno às produções mapuche em seus processos de expulsão, migração, adaptação e resistência cultural, no contexto chileno; a poética para salvar o fim do mundo, de Ailton Krenak (2019), que insurge para a produção cultural e artística brasileira como possibilidade de celebrar a linguagem da vida e da natureza frente ao colapso do antropoceno e a de ReAntropofagia, de Denilson Baniwa (2019), em sua proposta revisionista da antropofagia modernista, que a subverte para dar lugar às perspectivais autoriais indígenas. Não restrita às poéticas aqui assinaladas, o dossiê pretende oferecer um mapeamento do estado da arte da produção de pesquisadores e pesquisadoras que desenvolvam estudos em interlocução com os imaginários simbólicos e com as perspectivas teóricas que partam da experiência e dos fazeres dos povos latino-americanos em diálogo com a ancestralidade de seus corpos, linguagens e territórios.
O objetivo do dossiê será reunir artigos acadêmicos que abordem discussões referentes às produções literárias e aquelas caracterizadas por outros regimes de escritura como as artes cênicas, as artes plásticas e as artes visuais, nas quais a América Latina é pensada em perspectiva contra colonial. Serão bem-vindos trabalhos que estabeleçam diálogos com a crítica e a teoria literária, com questões que envolvem e tensionam discussões em torno à autoria, à representação e à autorrepresentação de indígenas, migrantes e outros povos dissidentes, à dimensão testemunhal das obras, seu alcance e impacto no campo acadêmico, científico e cultural. Serão acolhidos artigos que debatam sobre as diferentes performances da identidade, do corpo e do território, na forma em que os diferentes gêneros se colocam como sujeitos de enunciação, capazes de integrar a comunidade na prática de uma intelectualidade engajada com os propósitos coletivos e ancestrais.
Por fim, propõe-se, com este dossiê, ampliar as discussões em torno das memórias e das representações da América Latina, a fim de estabelecer intercessões entre a epistemologias plurais e os saberes comuns que podem ser vislumbrados a partir destas produções, além de elencar problematizações a elas inerentes.
Referências:
ARGUEDAS, José María. Canto kechua. Con un ensayo sobre la creación artística del Pueblo indio y mestizo. Lima: Editorial Horizonte, 2014.
BANIWA, Denilson. “ReAntropofagia”. In: Concinnitas. v.23. n.44. Rio de Janeiro: Maio de 2022. Disponível em: https://www.epublicacoes.uerj.br/concinnitas/article/download/71520/46502/268658
CATRILEO, Daniela. Sutura de aguas. Un viaje especulativo sobre la impureza. Santiago de Chile: Kikuyo Editorial, 2024.
CORNEJO POLAR, Antonio. “Una heterogeneidad no dialéctica: sujeto y discurso migrantes en el Perú Moderno. Revista Iberoamericana. Vol. LXII, n° 176-177. 1996.
ESPEZÚA SALMÓN, Dorian. Perú Chicha. La Mezcla de Los Mestizajes. Lima: Editorial Planeta, 2018.
KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. 1a Ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
MILLANCA, Javier. Xampurria. Somos del lof de los que no tienen lof. Santigo de Chile: Pehuén Editores; Centro de Estudios Interculturales e Indígenas, 2018.
RIVERA CUSICANQUI, Silvia. Un mundo ch’ixi es posible. Ensayos desde un presente en crisis. 1a ed. - Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Tinta Limón, 2018.
Vol. 29/2 (maio, junho, julho, ago/2027)
Tema: Cinquenta anos de Autoficção (1977–2027): circulação, transformações e disputas nas literaturas neolatinas
Editores Convidados:
Anna Faedrich - Universidade Federal Fluminense, Brasil
José Vieira - Universidade de Lisboa, Portugal
Carlos Nogueira - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal
Recepção: 16/09 de 2026 a 15/01 de 2027
Ementa:
Em 1977, Serge Doubrovsky propôs o termo “autoficção”, cuja fortuna crítica e literária reconfigurou decisivamente os debates sobre autobiografia, ficção, pacto de leitura, figura autoral e escrita de si. Cinquenta anos depois, importa não apenas celebrar a emergência de uma designação, mas também interrogar as suas sucessivas apropriações, traduções, resistências e reformulações em diferentes tradições literárias e críticas.
Este dossiê propõe examinar a circulação e as metamorfoses da autoficção nas literaturas neolatinas, com especial atenção às relações entre os espaços de língua francesa, espanhola, portuguesa e italiana. Pretende igualmente acolher estudos sobre outras tradições românicas – nomeadamente catalã, galega ou romena –, desde que articulados com uma perspetiva comparada, transnacional ou tradutória.
Longe de conceber as literaturas ibéricas e ibero-americanas como simples espaços de recepção de modelos teóricos produzidos noutros contextos, o número procura evidenciar a sua contribuição para a renovação crítica e formal da escrita de si. Interessa, assim, analisar práticas autoficcionais situadas em contextos marcados pela memória, pelo trauma, pela migração, pela colonialidade, pelas desigualdades de género, raça e classe, bem como pelas novas formas de exposição pública e digital do sujeito.
Nessa perspetiva, receberemos trabalhos que atentem para os seguintes eixos temáticos:
- Genealogias, definições, controvérsias e reformulações do conceito de autoficção;
- Circulação, tradução e recepção da autoficção nas literaturas neolatinas;
- Autoficção, autobiografia, espaço autobiográfico, formas de escrita de si;
- Autoficção, memória, pós-memória, arquivo e trauma;
- Corpo, gênero, sexualidade, raça, colonialidade e subjetividades minoritárias;
- Formas híbridas, experimentais e intermédia da autoficção contemporânea;
- Autoficção, migração, diáspora, exílio e relações transatlânticas;
- Ética, vulnerabilidade, exposição do eu e regimes de verdade na escrita autoficcional.
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